larosa


AMAR (Parte 1)

 

Alguns momentos na vida nos fazem perder razão e outros são tão lúcidos que chegam a doer na alma. Alguns momentos desejamos tanto amar e ser amados que ultrapassamos barreiras que até a nós mesmos surpreende. Outras vezes por mais amor que se tenha na alma não há com quem repartir, compartilhar. Por que? Porque nos fechamos em situações de sim e não. Porque passamos a ver tudo sempre pelo lado feio, esquecemos que somos humanos que erram e acertam. Acredito que o amor é o sentimento mais importante dentro de nós, por amor nos afastamos, nos aproximamos, nos machucamos, ferimos e continuamos em frente. Muitas vezes sem perceber que o amor sempre esteve em nós mesmos, simplesmente esperando por ser notado e aceito. Como perdemos oportunidades de demonstrar o que sentimos para amigos, família e mesmo para quem amamos, a pessoa do sexo oposto ou não.



Escrito por La Rosa às 03h09
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AMAR (Parte 2)

 

Como nos deixamos levar por considerações que nem sabemos serem as certas. Paramos e pensamos, ele ou ela não presta mais atenção em mim, minhas palavras não tem mais a capacidade de demonstrar o que me vai à alma. E nos fechamos em copas, com medo de errar, com medo da perca. E assim acabamos mesmo perdendo. O amor só cresce se é compartilhado, se é cuidado, se é zelado pelos dois seres. Um só lado não adianta. É como na amizade, se um dos lados se calar haverá sempre um silêncio, quando esse mesmo silêncio é acompanhado pelos olhares e toques das mãos, podemos entender o momento do outro, nos aproximamos mesmo que sem palavras e o outro sabe que estamos ali para o que der é vier.



Escrito por La Rosa às 03h08
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AMAR (Parte 3)

 

Mas com o amor parece que só isso não basta. Ou será que complicamos algo que é tão natural ao ser humano? Quando dois seres resolvem dividir suas alegrias, tristezas, angústias, medos e seu carinho, isso é uma prova de amor. Uma prova da entrega que é feita entre eles. Há silêncios que são tão lindos, que são preenchidos pela intensidade do sentir, da admiração que um sente pelo outro. Esses silêncios fazem bem a alma, faz com que elas se encontrem e comunguem entre si todo o sentimento contido nessa relação. No amor não é necessário sempre se repetir a frase: Eu te amo. Hoje em dia ela é tão banal, que muitas vezes nem nos importamos de ouvir ou não. O que vale é como o outro nos demonstra seu amor, seu cuidado, seu zelo e mais ainda seu respeito. Tudo isso constrói uma união de almas. Muitas vezes separadas por quilômetros de distância. Muitas vezes separadas pelas telas de seus computadores particulares. O mundo moderno nos trouxe a dádiva de nos aproximarmos de seres que nunca sonhamos antes. Isso nos faz mais intensos e mais medrosos também.



Escrito por La Rosa às 03h07
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AMAR (Parte 4)

 

Porque nem sempre nossas palavras serão interpretadas com todas as nuances. Nossos medos ficam mais aparentes. Nossas carências parecem atravessar a tela do computador e se instalarem no outro. Então nos perdemos em nós mesmos, por não sabermos lidar com tudo o que ocorre. E começam as perguntas, que muitas vezes ficam sem respostas. Como me entreguei a esse sentimento? Em que momento aquele ser passou a ser importante para mim? Se tudo findar como me sentirei? Para alguns as respostas surgem rapidamente, mas outros demoram muito tempo para começar a arranhar a superfície disso tudo. O que venho aprendendo nesse tempo todo é que não necessitamos somente do toque, não necessitamos somente de beijos e juras de amor. Necessitamos de um tipo de carinho que as ondas cibernéticas nos trazem. Isso ocorre com todos? Não, para se sentir algo assim a pessoa tem de estar receptiva, tem de estar aberta ao amor, seja ele em que nível for, seja ele qual for.



Escrito por La Rosa às 03h06
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AMAR (Parte 5)

 

Nossa sociedade tenta nos fazer ver há anos como deve ser o amor. É até engraçado, parece àquela coisa dos filmes enlatados, mas viver a intensidade do amor não é para todos. Porque quem alma primeiro é a alma, quem se entrega primeiro é essa mesma alma. Depois se tudo der certo o corpo terá sua recompensa. Quantos amores frustrados no começo por não sabermos lidar não com o outro, mas sim conosco mesmos? Permitimos que nossos relacionamentos anteriores nos ditem as regras e nos esquecemos que cada ser é um ser. Que cada homem e mulher encara a vida de um jeito. Se queremos estar com o outro, devemos aprender a falar o que sentimos e ouvir ou ler o que o outro quer de nós e o que espera desse relacionamento. É uma jornada de vida, em que vários caminhos são tentados, que pegamos atalhos que podem nos machucar. Nossas escolhas definem como viveremos, como amaremos e mais como seremos amados. Se me entrego de corpo e alma ao outro, é por minha livre e espontânea vontade.



Escrito por La Rosa às 03h05
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AMAR (Parte 6)

 

É porque para mim aquele ser vale à pena. Por ele superarei limites que muitas vezes eram só imposições da sociedade e não meus. Essa jornada nos faz perceber que somos fortes, mesmo quando vacilamos, mesmo quando erramos e quase colocamos tudo a perder. Cabe a nós o recomeço, o tentar conciliar o ontem com o agora e pensar no amanhã, com serenidade e tendo em mente que queremos a felicidade a nossa e a do outro. E ao outro aceitar ou não, compartilhar ou não. Se os dois resolvem que querem tentar, então devem esclarecer tudo o melhor possível e seguir em frente. As mudanças serão sentidas, mas acima de tudo a delicadeza deles superará o que já passou. O tato de ambos, o querer deles fará a diferença. Nesse amor entra tudo cumplicidade, amizade, respeito, admiração, devoção, entram todos os bons sentimentos e vezes por outras aqueles menores, porque somos humanos e temos nossas falhas, nossos medos e receios. Só o tempo poderá ajudar a eles que se entrosem e permitam ao outro que tome posse da alma amante e seguir em frente.



Escrito por La Rosa às 03h04
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AMAR (Parte 7)

 

Medos? Falhas? Erros? Todos temos, mas ao descobrirmos cada um deles, eles passam ser mais fáceis de lidar. E com isso damos mais passos em direção ao outro que resolveu nos estender a mão. Assim somos nós, seremos humanos em busca da nossa realização e satisfação plenas. Então vivamos, gozemos, vamos sorrir, vamos nos deleitar e buscar dentro e fora de nós a felicidade, depositemos nosso amor, nossa entrega a quem a merecer. Não desistamos de tentar, porque isso não é viver. E a nossa vida é curta. Muita curta, temos problemas sempre a resolver, deixamos nuvens negras nos toldarem o sol. Resolvamos os problemas que surgirem e contemos com o ombro amigo, com a atenção e o carinho a nós dispensados e que dispensamos com prazer a quem faz nosso coração bater em disparada ou mesmo que faz com que esse mesmo coração pareça que vá parar de uma hora pra outra. Isso nos faz bem, isso nos faz viver. A vida é bela, mesmo que às vezes não percebamos, que deixemos o baixo astral tomar conta de nós, reajamos e sigamos nossos sonhos. Pois os sonhos nos fazem avançar sempre. O melhor é saber que temos com quem contar, quem se importa e nos quer ver felizes. A vida vale a pena, sempre.



Escrito por La Rosa às 03h02
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Sorriso

 

A vida é uma grande surpresa. Nem sempre satisfatória é verdade. Mas sempre com algo que nos faz olhar para frente. A dor é uma conselheira constante. O medo é um companheiro diário, quando nos acostumamos a eles vamos descobrindo que podemos superar obstáculos. É um aprendizado constante. Quantas vezes já pensei em desistir? Quantas vezes já me peguei no alto do precipício admirando o fundo, sentindo seu chamado? Perdi as contas. O que me fez tomar a outra decisão? O desejo de encontrar meu caminho. Encontrar ou reencontrar o amor. Hoje estou mais serena. A dor diminuiu. Em seu lugar ficou a saudade, a ausência. Vou vivendo. Sorrio. Brinco. Mas me falta algo. Falta para quem contar meus sonhos. Falta com quem compartilhar meus desejos. Mas hoje não busco mais esse companheiro da minha alma. É inútil. Acredito que ele já passou pela minha vida. E eu não soube mostrar--lhe todo o amor e desejo que habita meu ser. E ele se foi. Há culpados? Não sei. O que sei é que na vida nem sempre ganhamos e nem sempre perdemos. De que adiantaria gritar, esbravejar? De nada. Então depois de todo esse tempo, meu coração está em paz. Ainda tenho em mim todo o amor. Mas como demonstrar isso? Com a distância, a ausência? Não há meios. Hoje me calo. Hoje me policio. Não quero mais ser julgada, nem apontada por pessoas que se julgam donas da verdade. Que se julgam moralistas. Por isso me afastei. Prefiro o silêncio. Recolho-me dentro de mim mesma. Assim consigo um pouco de paz e serenidade. Não é o que eu quero pra mim, mas é o que tenho nesse momento. E assim vou me reerguendo. Estou aprendendo mais sobre mim mesma. Tem sido um caminho longo e solitário. Meus companheiros tem sido o silêncio e a noite. Durante a noite é que posso me dar ao luxo de chorar, quando estou sozinha, quando não serei um peso para os que convivem comigo. Mas há noites em que não cai uma lágrima. Nessas noites chego a me vislumbrar sendo amada e amando. Meu espírito se sente então feliz e consigo dormir. Assim vou vivendo. Hoje tenho mais serenidade e paz. Aprendi a gostar ainda mais do silêncio. Sorrio pra mim mesma. Um sorriso meio alegre meio triste. Mas ainda assim um sorriso. É com ele que hoje todos ao meu redor me vêem. E julgam que sou feliz. E sou mesmo. Há ainda em meu peito a esperança. Por isso ainda consigo esse sorriso. Vou seguindo minha vida. Cuidando do que é necessário. Mas calando em meu peito o amor. Já que não tem a quem ser oferecido. Calo em mim o desejo. E vou vivendo. Quem sabe um dia eu volte a sorrir plenamente; com o espírito juntamente com o corpo. Esse é um dos meus desejos. Mas um dia ainda irei realizar. Enquanto isso vou sorrindo, esse sorriso que tenho, meio alegre meio triste....



Escrito por La Rosa às 21h59
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PENSANDO

 

Por quantas vezes mais terei o coração despedaçado? Por quantas vezes mais acreditarei em mentiras? Já não chega? Hoje, olhando para o passado, percebo que ainda acredito em histórias de amor, e me questiono, como posso ainda crer nisso? Sinceramente nem eu sei. Incrivelmente, tenho o coração sereno, não estou em desespero, não culpo o outro ou a mim mesma. Amei muito e fui amada também. Não deu certo. Paciência. Vamos em frente. Irei encontrar amor novamente, sim irei. Como tenho certeza? Não tenho, só vivo. E deixo acontecer. Se tiver de ser será. Sonhos? Ah! Ainda os tenho mesmo agora, depois de já ter me decepcionado e com certeza haver decepcionado alguém. Culpa? Não, me livrei dela. É um peso que não carrego mais. E sabe por que? Descobri que não vale à pena. A culpa juntamente com o medo nos paralisa. E não quero ver a vida passar. Meu espírito anseia por viver. Meu antigo amor se afastou, preferiu levar em conta seus próprios conceitos. São coisas da vida. E a vida continua. Não ficarei aqui derramando lágrimas que nada valem. O passado ficará no passado. Projetos? Como todo mundo tenho alguns. Nada mirabolante. Quero dançar. Quero olhar pra lua. Quero tomar sol. Quero brincar. Enfim quero viver. Chega de me esconder, de me refugiar em mim e no passado. Fiz muito disso. Não sou hipócrita. Tenho medo? Nossa e como. Mas agora é hora de seguir em frente. Preciso ser dura comigo mesma. Mais ainda. Porque quero a felicidade que está aqui comigo. Essa ninguém pode tirar de mim. Quero poder gozar outra vez. É feio falar ou escrever sobre isso? Peço desculpas aos senhores da boa moral, mas quero gozar mesmo. Qual o problema com isso? Não vejo nenhum. Quero poder me abrir ao ser que conseguir entender a insanidade que é viver perto de mim. Não preciso mais de desculpas para mim mesma. Sou mulher, quero um homem que saiba o que é isso. Não sou frágil, não sou de porcelana ou cristal. Sou mulher, com meus apetites sexuais. Por que tenho de mentir? Por que tenho de negar algo que é tão claro como a luz do dia? Não nego. Assumo tenho desejos sexuais, assim como os homens também têm. Não é de bom tom tocar nesses assuntos? Oras, por favor, hoje em dia, é até um absurdo isso, não vivemos mais no século dezoito. Pelo menos eu não vivo. Não gosto de vulgaridade. Gosto de romance, sou mulher oras. Não busco somente satisfação sexual, muito embora isso faça parte é claro, busco carinho, atenção, beijo na boca. E muito mais. Muito mais mesmo. Quero ser plena. Sou inteira e me entrego inteira a uma relação. Será isso um erro? Provavelmente sim, mas sou assim e não vou mudar. Gosto de ser assim. Meu gozo é maior quando sinto que o homem que está comigo, está só comigo e não com inúmeras outras na mente. Enquanto não encontrar esse ser, vou festejar a vida. Porque ela é curta. E não estou a fim de ficar parada olhando a minha ir embora sem que eu tivesse feito nada em proveito próprio. Egoísmo? Pode ser. Mas quem não é? Todos somos. Lido com meus fantasmas hoje melhor do que há dois ou três anos atrás. Simplesmente porque decidi que tirar todos eles do armário e debaixo da minha cama. Deu um trabalhão. Foi doloroso. Houve momentos em que pensei enlouquecer, mesmo assim fui em frente. Hoje caminho por dentro de mim mesma sem sobressaltos. Não tenho mais medo de mim. Enfim pude me aceitar, como mulher, como ser humano. Não sou descarada. Não sou como muitos podem pensar fácil. Sei o que sou. E hoje não importa o que dizem. Não mais. Aprendi a simplesmente seguir em frente. Aos que me conhecem digo que sempre os amarei, cada um a seu modo. Aos que não me conhecem é só bater na porta. Serão bem recebidos, mas aviso, serão tratados como me tratarem. Estou em pé, quando muitos me queriam no chão. Estou viva. E feliz comigo. E vamos em frente que atrás vem gente.



Escrito por La Rosa às 04h32
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A CHACOTA

 

Quero entender o por que das pessoas se sentirem tão bem ao ridicularizarem os outros. Quero entender por que tem de ferir sentimentos tão belos como a amizade, o afeto e o carinho dispensados a elas. Mas mesmo tendo passado por isso muitas e muitas vezes não consegui ainda entender. Meu coração está triste agora. Minhas lágrimas correm pelo meu rosto com tal tristeza que parece até uma dor física. Por que as pessoas têm de ser assim? Por que? Já não basta nos usarem como querem? Já não basta nos desprezar? Mas não elas têm de mostrar umas as outras. Apontar e rir. Não há problema nisso. Desde que elas sejam sinceras e riam na minha cara. Eu rio de mim mesma vezes sem conta. O que me dói é saber que entreguei amizade a pessoas que fazem chacota de mim. O que me dói é saber que elas mentem descaradamente. Esquecem que a beleza interior e a dignidade são fatores importantes para alguns de nós. Esquecem que palavras ditas ou escritas magoam. Perfuram a alma de tal maneira que as cicatrizes dificilmente se curam. Estou cansada de ser a chacota preferida de pessoas que chamei de amigas. Será que nunca vou aprender? Será que já não basta? Será que um dia a chacota vai deixar de me fazer ficar nesse estado de tristeza? Se querem rir, vamos rir juntos. Vamos nos divertir, também sei rir de mim. Esqueci que pessoas adoram maltratar outras. Esqueci que na maioria das vezes somos chacotas para os outros. Mas mais uma vez a vida de uma forma tão pesada me vez lembrar. Mais uma vez me deparei com a mentira exposta de forma tão crua e bizarra. Doeu sim, mas estou em pé. Tenho muito a oferecer pena que essas pessoas não sabem, se iludem pensando que só um rosto bonito pode dar isso a elas. Não se escolhe amigos pelo rosto ou pela cor de pele e sim pelo coração. Se escolhe amigos pelo que eles nos mostram nos mais diversos momentos e nos detalhes mínimos. Sou uma folha ao vento, velha e cansada, maltratada e rasgada pelas tormentas, essa foi só uma amostra de que ainda suporto mais desilusões e dores. Devo agradecer a essas pessoas, pois elas me tornam mais forte. Mas mesmo assim dói saber que sou motivo de chacota. E sabe por que? Porque acreditei em amizade. Porque acreditei em palavras vãs. E esqueci que as pessoas gostam de machucar os outros. Esqueci que o passatempo preferido delas é fazer chacota com a vida alheia. Obrigada por me fazerem lembrar. Mais uma lição aprendida. Mais uma cicatriz em meu coração. Mais um tombo. Mas tudo bem, já me levantei e bati a poeira.. Sou forte como o tempo e amiga para todas as horas, mesmo tendo cicatrizes como essa em mim. Eu sou assim. Feia, velha, cansada. Mas acima de tudo humana. Tenho sentimentos como todo mundo. E prezo o que sou. Se isso não basta a essas pessoas nada posso fazer. Mais uma vez agradeço pela bela visão de palavras tão gentis. Pela chacota e pelas risadas que causei a elas. É bom fazer os outros rirem mesmo quando o motivo das risadas é uma chacota como a que acabei de ver... Mas enfim faz parte da vida. E viva a chacota!!!



Escrito por La Rosa às 16h43
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PARTIDA

 

Pensamentos contraditórios, sensações estranhas. O que raios está acontecendo comigo? Essa busca não vai cessar nunca? Estou em meio a um labirinto. Perdida em mim mesma; tentando domar a fera que há em mim. Tarefa árdua. A cada embate saio arranhada, rasgada, cansada e nem sempre vitoriosa. Já me perguntei por que tenho de ser assim, por que não posso simplesmente aceitar e seguir em frente? Tantas perguntas rondam meu ser. Mas não há quem as responda. Novamente me recolho em mim mesma. Mais mudanças estão por vir e despedidas também. A solidão faz novamente morada em mim. A única diferença hoje é que fiz a escolha certa. Tive o tempo necessário para pensar e analisar os próximos movimentos. Mesmo assim dói e tenho de estar preparada para o que vem depois. Deixo para trás amigos queridos, seres especiais. Que não sei se ao voltar os terei por perto. Mas são os riscos que corremos. Não há muito que possa fazer. O tempo dirá se minhas escolhas foram acertadas ou não. O coração está apreensivo, o medo de perda se faz presente. Dilacerando, rasgando a carne sem nenhuma hesitação. Quantas vezes mais vou ter de ouvir despedidas ou me despedir de pessoas de quem gosto e de outras que amo? Quantas vezes mais meu ser vai se sentir dilacerado mesmo fazendo o que é certo? Não sei. Há pessoas pra quem irei escrever minhas linhas mesmo após elas não fazerem mais parte da minha vida. E talvez um dia essas pessoas leiam e se lembrem que era delas e pra elas que escrevi algumas linhas recheadas de amor, respeito, admiração e saudades. Alguns amigos fazem parte da minha alma. Alguns amores estarão sempre presentes no meu coração. Algumas pessoas mesmo estando distantes ainda encherão minhas noites de sonho e magia. Alguns seres especiais farão pra sempre mesmo sem nem saberem parte da minha essência. Eu agradeço a cada um deles. Por tudo o que me deram e por tudo o que me mostraram de mim e deles mesmos. Só posso agora me despedir, dizendo que os amo pelo que são, pelo que me permitiram ver e ter de cada um de vocês. Agradeço a dádiva e a oportunidade de um dia ter feito parte da vida de cada um mesmo que tenha sido por pouco tempo. Entrego a cada um de vocês parte do meu coração e alma. E me despeço, com lágrimas de tristeza e felicidade nos olhos e no espírito. Esperando ser um até breve. Desejando poder amar novamente e sempre cada um de vocês. A hora da partida chegou mais uma vez....



Escrito por La Rosa às 20h53
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DESEJO ARDENTE

 

O desejo percorre meu corpo. E me pergunto por que e pra que? Não sabe que de nada vale ter esse desejo insano e imenso? Hora de parar, desviar a atenção. Hora de calar. O corpo que ser satisfeito anseia por isso, o desejo aumenta. A razão me faz pensar e tento recuar. É sempre mais seguro. O que quero com essa segurança? Quero sim meu corpo satisfeito, no gozo perfeito no encontro de nossos corpos. Quero as mãos a passear e desvendar meus segredos. Nada quero saber com segurança. Não preciso analisar agora meu desejo, nem quero isso, quero viver, explorar teu corpo. Deixar a luxúria me guiar. Cegar meus olhos e não ver que só terei satisfeito meu corpo. É isso que quero agora. Por que me negar? Por que não alcançar e ter o que me é oferecido? Eu quero, desejo isso. Quero tuas mãos em meu corpo, passeando e provando de mim. Quero provar de teu gosto e cheiro. Quero te sentir inteiro, pulsando em mim e por mim nesse momento. Não me importa se haverá uma outra vez, quero agora porque meu desejo é imperativo hoje. Quero provar de teu gosto e cheiro. Quero te sentir inteiro, pulsando em mim e por mim nesse momento. Não me importa se haverá uma outra vez, quero agora porque meu desejo é imperativo hoje. Porque me sinto arder de forma tão intensa como há muito não acontecia. O que fizestes? Por que vens me alucinar? Qual motivo disso, agora? Meu corpo estava sereno. Nada denunciava por essa tempestade que passeia pelo meu ser. Por que fazes isso? Por que me atormentas? Não sou como outrora. Hoje sou urgente. Sou fêmea. Quero ser saciada. Quero a pele e o pêlo quentes. Preciso me esvair em êxtase. Quero ser tua nesse momento. Sentir tua respiração no meu pescoço, nos meus seios teus lábios. Sentir-te inteiro e denso. É isso que quero. Agora! Estou pulsando, pronta. Ah vens meu amado, vens me saciar de tal maneira que me perca entre seus dedos e me encontre somente ao explodir de nossos corpos. Arrepios me percorrem. Sinto-te a ponto de se arrebatar, de alçar vôo comigo, cavalgamos e nos entregamos um ao outro nesse momento mágico e pleno, onde eu sou tua e tu és meu. Sem pudores ou medos. Somos simples e amplamente nossos nessa união perfeita e finita. Como é bom ser e estar assim para tua e minha satisfação. Sabes te amo nesse momento repleto de lucidez e nudez. Não me interessa nada além do meu e teu corpo. Depois? Não preciso de depois, só de outras vezes quando serei tua e te amarei com toda a luxúria e volúpia de minha alma. E a cada vez que me quiseres e me encontrar, saberás quem e o que sou. Isso é o importante mais nada meu amante amado.



Escrito por La Rosa às 02h21
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CHUVA

 

Pela vidraça vejo a chuva escorrer, assim como as lágrimas que sem permissão lavam meu rosto. Meu coração sofre por não saber onde estás. Meu espírito se agita. Minhas mãos procuram por alguém, tateiam em meio a escuridão. Nada encontram. A dor, essa constante me faz pensar em parar tudo. Em me enterrar no mais profundo do meu ser. Fujo pra dentro de mim. Onde é seguro. Onde ninguém pode me alcançar. Permaneço trancafiada. Assim não há como ser machucada. Minha jaula não tem grades. Nem cadeado. Simplesmente não há pra onde ir. Meus desejos jazem todos adormecidos. Somente uma parte de mim está viva. Aquela que é necessária. Aquela que tem de saber se portar. Aquela que tem de tomar as rédeas. Não é necessário amar ou ser amada. Não é necessário nem mesmo saber quem sou, só fazer o que é esperado. Continuo a olhar a chuva, agora não há mais lágrimas, só o coração sangra, almejando por algo que não pode ter. Por que ainda faço isso comigo? Por que mesmo agora ainda espero por ti? Como posso mesmo enjaulada, mesmo me prendendo? Amar pra que? Sofrer mais uma vez. Sentir que me despedaço. Que não sou completa. Prefiro não. Então me trancafio mais e mais. Sofro? Sim e como. Mas é melhor assim. Estou tão acostumada a ser só, a ter responsabilidades sobre outros seres, que é bem melhor lidar somente com esse meu lado. Não vou mais me aventurar. Não vou mais. O que tenho para oferecer? Vejamos: um ser despedaçado vezes sem conta, com cicatrizes tão profundas, uma alma insana. É isso o que teria a oferecer. O que ofereço aos meus amigos é meu lado carinhoso e atento, meu lado amoroso e também pesado. Não é fácil ser amigo meu. Sei bem disso. Peço desculpas a eles, mas se mudasse algo não seria eu. Seria só mais um pedaço. Quando entrego minha amizade a alguém é de modo completo. Não há meio termo. Se nem em amizade consigo ser de outro jeito, quem dirá se amasse alguém. Então tenho de me esconder. Tenho de me proteger. Tenho de fugir. Vivo em fuga. Vivo sozinha. Não há lugar pra mim. Não há um lugar pra mim. A chuva cai e agora meus olhos só observam... É só o que posso e quero fazer. Nada mais.



Escrito por La Rosa às 17h36
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O SER DA NEBLINA

 

Há uma revolução em mim. Meu interior está dividido em fragmentos por vezes tão pequenos que não consigo perceber. Não sei mais o que sou. Sou algo em mutação. Algo que me assusta. Algo que anseio e que temo. Não é nada externo. Os outros não percebem. Despertei todos os meus demônios. Os fiz dançar, me entreguei a orgias nos braços deles. Senti suas línguas, seus hálitos e evidente seus sexos. Escancarei a mim mesma. Para sentir tudo o que pudesse sentir, no intuito de não sentir nada mais depois. Rasguei minha carne. Minhas entranhas expus de maneira sádica, me deliciando na dor, querendo cada vez mais por ela, simplesmente porque nada mais fazia diferença, não me arrependo. Fui a prostituta de muitos, sem nenhum deles conseguir tirar de mim algo além do que um sorriso gélido. Por esquinas escuras e mal cheirosas caminhei, os homens que pensavam me possuir, nem sequer imaginavam que pra mim eles eram gado. Somente isso, gado. Seu suor, seu gozo, tudo era aproveitado por mim, como combustível para me ajudar a não mais sentir. A cada vez que meu corpo necessitava de mais, lá ia eu em busca do que chamam prazer. Será que essas pessoas sabem mesmo o que essa palavra significa? Não faço idéia. E não me importo. Estou fechada num círculo onde ninguém entra, mas também não posso sair. Covardia? Não instinto de preservação. Essa maldita sensibilidade que não consigo esgotar me faz evitar contatos. Sento-me mais uma vez. Entôo algumas palavras que muitas vezes não sei de onde vem. Simplesmente permito que saiam. Quero fazer um acordo. Não quero mais esse coração maldito em meu peito. Não quero mais sentir. Chamo por seres tão antigos como o tempo. Sei que só eles podem me ajudar nesse momento. Medo? Não. Meu medo se perdeu em meio aos fragmentos desse ser dilacerado por sentir demais. Nada mais quero com esse maldito sentir! Quero ser algo morno e amorfo. Quero a solidez da rocha. Quero a vastidão do espaço. Quero me diluir na água. Agora que o chamado foi lançado, espero, nada mais posso fazer. De um canto surge uma neblina mais densa que o normal, algo se agita dentro de mim, não querendo aceitar minha decisão, com esforço sobre-humano sufoco esse grito lancinante em minha garganta. Dos olhos caem lágrimas. Afinal me pego perguntando a mim mesma: O que diabos acontece com você? Pare com isso! Já! Minha decisão está tomada. A partir de agora não almejarei nada. A partir de agora não ansiarei por nada. Assim nada irá me machucar. Será que és tão burra que não percebes o óbvio? Será que preferes esse sofrimento? Instantaneamente como um ser como que a parte de mim responde: Sim prefiro. Prefiro sofrer, prefiro sentir. Isso sou eu também. E se sou eu é você também. Minha ira é tão grande que poderia devastar todo o recinto. Minha outra parte somente sorri e responde: Pensas mesmo que não sei lidar com a nossa ira ou com a dos outros? Engana-se. A cada vez que emanam isso para nós, me fortaleço. A cada vez que sofro, supero mais um obstáculo. Quem é a cega na história. Vamos me diga? Quem é que agora não consegue se enxergar? Meu espanto é tão grande que me calo. Como dialogar diante do que me foi mostrado? Quando pensava ser fraca, era forte. Como pude ser tola e não perceber? Eu sorrio pra mim mesma. A neblina agora tem uma forma não muito definida. E aos poucos passo a ouvir a voz que vem dela. Ouço um riso incontido como de um insano. A forma se delineia um pouco mais, noto que é algo diáfano, etéreo, mas de uma consistência pastosa. Dela vem a seguinte pergunta: Queres o acordo ainda? Aqui estou. Aviso que não haverá volta nem clemência. O que farás? Qual tua decisão? Paro. Tenho de tomar uma decisão, fui eu quem chamou. Agora é tudo ou nada. Enfim impera o silêncio, minha outra parte está muda. O ser da neblina também somente esperando uma resposta. Praguejo sem me entender mais. Então encarando meu destino de frente, resolvo que não posso matar parte de mim mesma. O ser da neblina volta a rir, sinto um quê de sarcasmo. Talvez? Ouço a resposta: Não há sarcasmo. Deves analisar todos os prós e contras. Tenho a eternidade. Mas e você? Minha resposta: Eu também tenho. Só não queria esse sentir tão intenso, esse coração tão... O ser da neblina termina minha frase com um questionamento: Humano? E eu respondo: Sim isso mesmo humano. Percebo no ser um par de olhos que me fitam de tal maneira, que me sinto sendo invadida por mil lanças. Continuo sentada, sem mexer um músculo, me sinto então sendo abraçada e aconchegada. O ser da neblina enfim me diz: Sua busca só começou, velarei por ti. Estarei sempre por perto. És corajosa, teimosa, impetuosa, mas sabes os momentos certos em que deves recuar. Use todos os seus Eus, não os deixe minguarem. E não precisarás mais querer viver sem coração. Ouça a você mesma. Procure interiormente por suas respostas. Ouça sua verdadeira natureza em cada um dos seus Eus e poderás caminhar tanto entre demônios como entre anjos. Você sempre terá a escolha. Não se esqueça. E lembre-se estarei em todos os lugares onde estiveres. Serei tua sentinela e teu guardião... Lembre-se disso daqui para frente. Cuidarei do teu coração. De agora até a eternidade. Assim seja. Depois tudo sumiu... Ficando somente o círculo e eu... E um sentimento de apaziguamento e surpresa.



Escrito por La Rosa às 00h36
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VAZIO E SOLIDÃO

 

O frio invade a minha alma, mais uma vez, já sabia que isso ocorreria. Não há medo ou desejo. Simplesmente por não haver surpresa. Quero sentir isso até o fim. Não me nego mais a sentir o frio penetrante e cortante do vazio que impera em meu ser. Minha essência agora é solidão. Não há lugar para mais nada. Amor ou ódio inexiste aqui. Minha alma é um vazio eterno. Desisti de buscar algo que as eras me mostraram não existir. Hoje não me iludo mais. Abdiquei dessa procura insana. Dessa tentativa de querer algo irreal. Dessa ânsia sem perspectiva. Dessa sede imortal. Hoje não há mais nada disso. Há o vazio e a solidão. Mas diferente das outras vezes não há tristeza, somente uma aceitação. Algo que para mim mesma é ainda inesperado. Nada mais pode me ferir. As lágrimas que derramei, hoje sei que foram sempre pra mim mesma. Pensava que era algo externo, por ou para alguém. Analisando friamente percebi que era autopiedade... Que absurdo isso. E me vem à mente o tempo desperdiçado, o gozo não aproveitado e acima de tudo os sentimentos menosprezados e jogados fora. Então após eras e mais eras decidi não ter mais coração. Alguém me ensinou a como começar a perdê-lo e venho fazendo justamente isso. Pensei que não conseguiria, que não daria o primeiro passo. Mas consegui e me sinto bem. Porque mesmo tendo um vazio no peito, ele não é maior do que o que existe em minha alma. Se pudesse agradeceria a esse alguém, mas para ele não faz diferença, já que não tem um coração. Algo muito estranho ocorre comigo. Nada me alcança onde me encontro agora, estou tentando buscar em mim o sentimento de tristeza e a dor. Mas não os encontro. Será isso um bom sinal? Espero que sim. Será que estou me enganando? Será que estou morta? Quantas perguntas sem respostas. Olho pra mim mesma e nesse momento não me reconheço. Onde estarei eu? O vazio e a solidão tomaram conta de mim. Já não sei onde eu começo e eles terminam. Nada mais faz sentido e ao mesmo tempo tudo faz sentido. Encontro-me na encruzilhada do tempo. Ficarei aqui até sentir o que devo fazer. Até ter certeza de que não serei pisoteada por mim mesma. Minhas lágrimas secaram, meu sangue está congelado nas veias, minha face está encovada, sinto a morte chegar e sorrio. Nunca tive medo dessa senhora e agora muito menos. Ela me olha e passa ao largo. Penso comigo: Droga!! Ela se vira me observando e diz: Ainda não, ainda não. De novo sorrio e respondo: Tens razão, ainda não. O vazio e a solidão tomam conta de mim e simplesmente me entrego, nada mais há além deles. Enfim estou em casa. Ou será isso só um pesadelo?



Escrito por La Rosa às 21h27
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